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Criticar é fácil, complexo é entender

January 17, 2012
Se analisarmos a indústria da moda vamos perceber muitas vertentes diferentes. Contudo, eu por vezes, acabo dividindo-as em duas: a moda para os criativos, que querem arriscar o novo, tentar as possibilidades, usar a criatividade em tom artístico; e a moda para os ditadores do “bom gosto”, que se apostam no direito de separar de maneira determinista o bom do mau, e que frequentemente criticam sem senso crítico. 
Acredito que todos que se envolvem com moda deveriam ter, não somente os sentidos abertos, mas também o coração receptivo para as novidades, tendências, statements entre outros fatores que a englobam. Acho irritante ver editores se aterem a tecer críticas irônicas e sarcásticas sobre roupas que arriscaram sair do óbvio criativo e da zona de conforto de seu criador. Contudo, admito que algumas coisas funcionam e outras simplesmente não rolam; porém, existem certas críticas que vão além da avaliação e perdem o argumento. Em minha perspectiva, é diferente dizer que uma roupa não é comercialmente viável, ou que não ficou bem em alguém dado o volume do traje e dizer que algo é simplesmente terrível e deplorável e que a atriz ficou “gorda” baseando-se apenas em opinião pessoal.
Pois foi ao ver as várias listas publicadas de “mais bem vestidas” do Golden Globe 2012 que constatei essa tirania dos que julgam o próprio gosto ser o parâmetro do “bom gosto”. Estas listas têm se provado tão díspares pela própria subjetividade inerente, e ao mesmo tempo tão incoerentes, que não vejo como possam ser levadas a sério agora. Penso ser extremamente complexo e relativo falar em best dressed no momento de multi tendências em que vivemos. 
Vi comentários da premiação, inclusive, que desconsideravam uma série de fatores como a personalidade e a história da celebridade vestida, alvo das alfinetadas. Exemplo disso foi o pitaco que li sobre a roupa da Madonna dizendo que era muito volume no vestido e que a luva era desnecessária. Porém, sabendo da carreira e história musical da pop star não é difícil entender que o volume de seu Reem Acra e a luva eram exatamente a impressão de caráter que ela precisava ao que vestia.

A rainha do pop sem a luva e sem o crucifixo não seria o ícone que conhecemos. 
Outra que era hora queridinha e hora não bem-vinda nas paradas das bem vestidas era Zoey Deschanel com seu modelo Prada. Particularmente achei apropriado ao evento, tem a ver com ela e a silhueta simples é bonita. 

Lea Michele foi detestada pela maioria, que disse ser levemente vulgar o vestido ou que o longo Marchesa  ficaria melhor em Lady Gaga. Penso que não seja pra tanto. Não considerei vulgar a transparência, mas talvez concorde que a escolha poderia ser mais acertada se o evento fosse algum Music Awards tendo em vista que o Golden Globes é mais formal. Porém, é sempre importante salientar que estas atrizes de Hollywood tem papel fundamental em divulgar o trabalho de estilistas e demonstrar a capacidade criativa e artesanal destes. Por isso, acredito que Lea Michele tenha acertado, uma vez que mostrou o potencial da Marchesa em fazer trajes luxuosos com penas e tecidos metálicos. 

Gostei bastante da Emma Stone em seu Lanvin. Pessoalmente falando, achei a medida exata entre o contemporâneo, o sensual, o elegante e o sóbrio.
Tilda Swinton foi uma das minhas preferidas da premiação e acho injustiça ela liderar a lista das mais mal vestidas da edição. Sua roupa Haider Ackermann foi o que manteve o tapete vermelho interessante. A atriz foi absolutamente coerente com sua androginia, e sempre se arrisca com modelos inusitados e que fogem ao óbvio, bem fashion forward

Duas bonitas e bem sucedidas das listas da noite foram Angelina Jolie de Atelier Versace e Charlize Theron de Dior Couture. É fácil perceber que ambos os vestidos têm boas proporções, cores neutras e são consequentemente mais fáceis de agradar o público geral.

Enfim, o que eu gostaria de expor com este post é meu desejo de que os críticos e editores de moda ao invés de continuarem preconizando a moda “fácil de se gostar”, ajudassem o público mais geral a entender as roupas apresentadas. Auxiliassem e contribuíssem com a compreensão e a percepção do diferente,  do inusitado e do novo. Ou então, que se fossem para avaliar, que considerassem fatores como conveniência à ocasião, proporção e styling ao invés de basearem-se exclusivamente em seus próprios gostos pessoais usando critérios de – gosto; não gosto – feio; bonito.

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  • Reply Iuska January 25, 2012 at 5:48 pm

    meldeeeeeels!!que maravilhoso o vestido da madonna!!! D= quero um pra mim!!1

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