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Icônico

October 28, 2012
Em Curitiba, há quase dois meses atrás, com um copo de cerveja sobre a mesa, na Rua 24 horas, conversando com uma amiga, esperávamos uma terceira pessoa. Seria a primeira vez que a encontraria pessoalmente. Logo vi uma menina vindo, de botas de cano curto displicentemente amarradas, uma bolsa com um ar vintage, skinny jeans, cabelos grossos, compridos, pretos e… lábios desenhados em vermelho. Todo o appeal do vermelho austeramente sedutor era sua marca registrada. O batom era constante em sua bolsa e inseparavelmente adotado para todos os dias independente do tempo ou da estação.
Esse encontro me fez pensar em algumas características estéticas pontuais que se tornam marca registrada de uma pessoa. Algo que adotamos com tanta identificação, que trazemos para o core de nossa personalidade, tornando-o uma extensão de nós mesmos. Podem ser elementos de maquiagem, cabelo ou acessórios dos quais não desgrudamos. E assim, esses elementos logo se aderem à nós e viram algo icônico nosso.
Aposto que não haja quem não se lembre de Amy Winehouse ao pensar em delineador pesado e exageradamente esticado com um bee hive no topo da cabeça.
Ou ainda, Daphne Guiness ao se lembrar de cabelo B&W.

Anna Wintour também que jamais muda seu corte de cabelo.

Já no departamento de acessórios, temos o colarzinho “Carrie”, como exemplo, da protagonista do seriado Sex And The City, que independentemente do que vestia sempre estava com seu nome pendurado no pescoço.

E ainda há quem seja um ícone por inteiro por se vestir sempre com os mesmos caracteres. Karl Lagerfeld: luvas de couro + cabelo branco comprido + óculos escuros.
Acredito que é cada vez mais raro encontrar quem se apegue tanto a uma cor de batom, a um penteado ou a um estilo de maquiagem só. Isso porque são tantas as opções e possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias e pelo mercado, que constantemente somos seduzidos a nos reinventar – e como consequência, levados a consumir novas “características pessoais”.
Porém, admiro e tenho um fascínio por quem consegue vencer as efemeridades. (Até porque talvez eu gostaria de não me render tanto a elas). E realmente vejo como algo bonito o apego perpétuo, numa dedicação em construir, ter e manter uma imagem icônica.
A partir daí comecei a reflexão meio triste de que eu não teria nenhuma marca registrada de fato, e que gostaria de ter. Sou uma pessoa que enjoa rápido de tudo que é constante e repetitivo, e por isso dificilmente me prendo a algo. Amigos meus já me disseram que o que me caracteriza são os acessórios marcantes. Mas não é sempre que uso esses adornos. Contudo, logo me lembrei de que sempre mantenho minhas duas unhas da mão direita pintadas. E apesar de não estar apegado a nenhuma cor específica e trocar o esmalte sempre, o par de unhas coloridas são uma constante e talvez elas sejam meu item icônico.
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