Diário

Dating em aplicativos

October 22, 2014

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Minha educação em relacionamentos foi, em grande parte, através de Sex and the City. Mesmo na época, com 15  anos, e não sendo o público alvo da série, me apaixonei por Carrie Bradshaw e suas amigas. Desde então, minha mente é recheada de aspas das personagens e episódios (além de Manolo Blahniks e Dior).

Quando me mudei pra São Paulo, há mais de um ano, pensei que  aqui seria minha Nova Iorque improvisada. Afinal, gente espremida na cidade e metros quadrados caros não faltam. Porém, diferente da série que terminou há dez anos, as interações sexuais e românticas já se dão de outra forma. Para agilizar as coisas (ou nem tanto), você pode baixar aplicativos de encontros para conhecer pessoas. Instalei o Grindr e o Tinder pra, digamos, viver intensamente e expandir a minha pouca experiência.

Descobri que o primeiro tem um apelo muito mais imediato, casual e sexual. Em uma tradução livre, Grindr seria como um moedor, pronto para tratá-lo como carne e cospí-lo. Já o segundo, apesar do layout mais fofo e da dinâmica mais divertida, no final das contas, pelo uso atribuído, não acaba sendo muito diferente.

O bom de ambos é que se eu estava disposto a viver, oh boy, como vivi. Encontros que seriam dignos de filmes de comédia, suspense ou drama. Como o dia em que fui jantar na casa de um cara, levei um vinho, cozinhamos, bebemos, jantamos, conversamos por horas e nunca dele me beijar. Até o momento em que disse que iria embora e ele me convidou para dormir. Cheio de esperança, mal eu sabia que o sujeito arrumaria a cama e literalmente dormiria enquanto eu passaria a noite toda indagando ao teto por que aceitei aquele maldito convite.

Tive dates com nacionais e importados, caras que nunca pensei que conseguiria seduzir, e outros que jamais gostaria de ter atraído. Mas o que todos tiveram em comum foi que me ajudaram a me conhecer melhor. Por pior que tenham sidos alguns dates, acredito que fiquei mais consciente de quem sou no mundo e pude desmistificar muitas crenças que roíam minha autoestima. Enxerguei com todas as letras o machismo opressor que só aceita dar se for sem desmunhecar, sem sobrancelha feita ou voz aguda. E continuo na resistência.

Os babacas nesses apps acabam sendo um recorte da sociedade atual. Gente rancorosa, defendida, ofendida ou ofensiva, são retratos do mundo hostil que ainda esperneia para tolerar e aceitar.

Nem Tinder nem Grindr me apresentaram ao meu Mr. Big. Assim, sigo aí na vida. Solto na pista e em cima do salto, só que de uma forma mais esperta.

-G

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