Diário

Coito não é sexo casual

May 2, 2017

 

Tinha 16 anos quando assisti Sex and the City pela primeira vez. Fiquei em choque porque eu, ainda dono de lábios virgens, não imaginava que as pessoas fizessem tanto sexo. Muito tempo se passou, já vivi namoros curtos, mas diria que minha vida tem sido essencialmente solteiro. Assim, pude provar como sexo e relacionamento podem ser tão difíceis quando Carrie contava na sua coluna do jornal Star.

No entanto, se há anos atrás a coisa já não tava fácil, sinto que hoje piorou em alguns aspectos. Com a praticidade dos aplicativos nos tornamos mais consumíveis e descartáveis. E o que tenho sentido na pele é que o sexo casual tem tomado um sentido errado, se tornado mais frio, mercantil e automático. Não tô me queixando do sexo casual em si. Minha queixa é sobre o jeito que ele tem sido feito. Não é raro receber nudes espontâneos de alguém que nem sabe seu nome e nem te deu oi – como se aquela simples foto devesse ser o suficiente pra se querer transar. Alguns approachs se resumem em “Oi. O que curte? Tem local?”. Menos raro ainda, a falta de interesse no parceiro ou a recusa de um date pré-sexo. Sei que por muito tempo existiu a ideia do homem gay que topa uma rapidinha instantaneamente. Mas acho que esse esteriótipo venceu e era o reflexo de uma sexualidade reprimida por uma sociedade muito mais opressora.

Podem me chamar de romântico, mas acredito que tô apenas sendo sensato quando espero ser tratado como uma pessoa, e não um objeto sexual. Por vezes, me pego pensando onde é que foi parar o entusiasmo do flerte, o olho no olho, o arrepio do toque, a carícia ou até mesmo o humor. Não é porque é sem compromisso que não precisa ser legal, divertido ou gostoso. É possível, sim, não estar imerso na vida do outro, longe de um relacionamento e ainda ter uma transa boa. Dá pra fazer bem feito, direitinho, sem namorar. Quando tô a fim de transar, quero me sentir desejado e desejar, quero rir, me divertir, me entregar e gozar. Tá faltando tesão, daquele que seduz, provoca e excita, sabe?

Isso tudo, sem falar na exposição inerente à transa. Estar nu é estar vulnerável na frente do outro. Não só no aspecto psicológico, mas até em termos de doenças também. Algumas DSTs como herpes ou HPV não precisam da penetração ou de esperma pra se pegar. Basta o contato de pele ou mucosa. Ou seja, nesses casos, a camisinha não garante 100% de proteção.

Se fosse pra ser tão frio e sem a mínima conexão não se chamaria sexo, poderia ser masturbação. E aí, ser comigo, com um boneco ou com um dildo não faria diferença. Isso que vejo por aí, levando o nome de casual, sem compromisso, tá na prateleira errada. Vamos parar de chamar coito de sexo casual.

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