Estilo

Vítima da moda porque sim

November 2, 2017

Depois de algum tempo trabalhando com moda e beleza a gente desenvolve um faro mais apurado e começa a distinguir com clareza o que é modinha passageira e o que tem fundamento e potencial pra perdurar. O importante de desenvolver essa sensibilidade é que você passa a tomar decisões mais sensatas com relação ao seu dinheiro. Por exemplo, se eu sei que uma tendência vai desaparecer nos próximos meses, não invisto (muito) nela. Do contrário, fico mais confiante e tranquilo em gastar meu suado troquinho.

Só que, apesar desse discernimento, isso não quer dizer que não estamos sujeitos a cair em tentação. Mesmo sabendo dos riscos, tem horas que embarcamos na trend. As cordinhas de óculos, vistas na passarela de Balenciaga ano passado, mas em tamanho maxi e de elos graúdos, viraram hit e, na minha opinião, são um caso de tendência meteórica. Elas desceram a pirâmide da moda, ficaram menos conceituais e mais usáveis, e chegaram ao Instagram de celebs, influencer e nas prateleiras de fast fashions. Há pouco tempo, eram exclusividade do acervo da vó, coisa de gente mais velha que tem pavor de perder os óculos.

Bastou uma chacoalhada do marketing e acabei entrando na onda quando vi na Renner. Por menos de 30 reais comprei meu acessório. No entanto, entrei nessa sabendo que ele não vai durar muitas temporadas e é só um toque fashion victim pra atualizar o visual. Tenho certeza que daqui 3 anos vou ver as fotos desse post e me contorcer dizendo: “Como é que eu consegui achar isso legal?”. Do mesmo jeitinho que a gente faz hoje, com aqueles vestidos de manga presunto da década de 80.

Aí, você pode me perguntar: “Se tem certeza que vai se arrepender, por que comprar?”. Porque tem coisas que a gente faz pelo momento e pela diversão, assim como aquele glitter lindo do carnaval que colamos no rosto, sabendo que ia ser o inferno tirar depois e sairia só no feriado de finados. Ou aquele boy grudento que a gente pegou porque à meia luz da balada ele era fofo, mas que foi difícil de desencardir e fugir dos Whatsapps de “bom dia”. Ou ainda, aquele rodízio maravilhoso que te fez abrir o botão da calça e você teve que andar até o Polo Norte na esteira pra se livrar dos souvenirs em forma de gordura. Nem tudo é tão lógico, mas juro que na hora faz sentido. Além disso, é como dizem as tatuagens de algumas migues ou várias legendas de Insta: “carpe diem”; “yolo”. Pelo menos, comprei a cordinha de trintão, e não a de R$ 1.030,00 da Balenciaga.

Fotos: Mariana Conte

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